O Pôquer da galera: a febre da semana

O Blog do Repique publicou hoje uma matéria muito interessante que, como tem tudo a ver conosco, resolvi reproduzir aqui.

É uma entrevista com jogadores ocasionais de poker (como nós). O interessante é que muitas coisas que eles dizem se encaixam perfeitamente com o nosso cotidiano (principalmente a implicância do mulheril).

Portanto, mais uma oportunidade para vocês aumentarem o conhecimento sobre o POKER que a cada dia ganha mais adebtos. Reportagem abaixo:

poker

O Pôquer entre a galera, já faz um tempo, virou uma febre.
Todo amigo joga. Todo amigo tem uma roda (pelo menos) que freqüenta semanalmente. É sagrado. Fazem campeonato anual até. Uns se dividem dizendo que o dia oficial do Pôquer é a segunda-feira. Outros dizem que é a terça. Quem defende a segunda parece ter mais ‘razão’: “o cara passou o fim de semana inteiro com a esposa ou namorada, na segunda ela não agüenta mais ver a cara dele, quando ele diz que tem pôquer, ela diz ‘pelamordedeus, vá!’.”

O Repique conversou com alguns amigos que jogam toda semana, (nem todos da mesma mesa), para entender o sucesso que faz esse jogo.

Contem aí, qual é a do pôquer?
Chris: Jogo para estar entre amigos. Não me interessa tirar dinheiro dos outros. Vou para me divertir.
O nosso Pôquer é super profissional. 20 pessoas, toda segunda-feira, mesa profissional – sabe aquelas que se vê em campeonato? Ovalada, para nove pessoas, com tampo forrado de veludo verde e borda acolchoada em couro para apoiar. Era de um cara que resolveu abrir uma casa para ter lucro. A polícia foi lá e fechou. O nosso Pôquer é entre amigos.

Roger
: Eu comecei sem querer em 2005. Eu fui e era realmente sagrado. Cacife de R$ 50 até duas da manhã.

Neto: É a alforria dos casados. As esposas não vão, não xingam, ou se xingam já se acostumaram. Sempre chega mais um. Virou um círculo de amigos. Tomamos uma, conversamos, se diverte e dá risada. O Pôquer socializa.
E é um jogo muito interessante em que você nunca vai parar de melhorar, assim como xadrez.

Quais são os fundamentos da mesa?
Chris: O cacife não é caro. R$ 30 para mil fichas. Nos primeiros trinta minutos você pode comprar quantos cacifes quiser, se acabar. Depois não mais. Em um dia ruim, chega até três.

Neto: Nossa mesa é controlada. Mas tem os alucinados que gastam uns R$ 250.
Outra regra: Mulheres não são permitidas. Só às quintas-feiras, na mesa extra, mas não é sempre que rola. E também pontualidade – se chegar atrasado, só fica olhando.

Fabio: Pôquer é dinheiro, não é baralho. Tem que apostar grana e você vai para ganhar, se não vira Banco Imobiliário.

Chris: O Pôquer tem uma coisa: não é sorte. É habilidade e só. Se tiver sorte, melhor. É um jogo de probabilidades. Você precisa ser bom em analisar comportamento humano e ser bom ator.
Os jogadores profissionais no começo só perdem, pagam para ver como os outros jogam, aprendem e aí rapelam porque sabem quando o outro está blefando.
Se o cara está com a mão na ficha, ele tem jogo. Se ele joga o corpo para trás, ele tem jogo também, está só disfarçando. Se joga o corpo para frente, está ansioso… Tem que conhecer a natureza humana.

Neto: Você nunca vai ser campeão se não aprender a blefar.

Tem umas caricaturas, não?
Chris: Tem os ‘Vacas-loucas’ que às vezes ganham e nem sabem por que, outros que adoram apostar tudo, os calculistas que juram que não blefam…

Roger: Sempre tem os ‘patos’, tem um ditado que diz: ‘ se você está numa mesa de pôquer e não sabe quem é o pato, o pato é você.

Neto: Temos até um blog que é o ‘after pôquer’ com as pérolas da noite.

E tem muitas expressões específicas?…
Roger:  Tem coisa de gringo: ‘steaming’, de vapor, quando você está suando por dentro; ‘on the nuts’ quando na 3ª, 4ª carta você já sabe que ganhou, mas não pode demonstrar. É uma delícia.

E por que virou essa febre?
Neto: Porque o pôquer mudou.

Roger: A febre, eu acredito, que seja por causa dessa modalidade que chama Texas Holdem . O pôquer antes tinha cinco cartas, trocavam-se duas ou três e apostava. Era meio bobo.

Mas era mais romântico?
Roger: Era…
Nesse Texas cada um recebe duas e abre-se até cinco cartas comunitárias, na mesa, que todo mundo vê. É muito mais rápido e as possibilidades mudam muito. É mais emocionante.
E esses campeonatos começaram a passar na TV, na ESPN. Todo mundo começou a acompanhar, dá uma adrenalina. Como deixou de ser jogo de azar e virou esporte, abriram casas por aí. Virou essa febre.

Fabiano: Na TV, os prêmios são altíssimos. Deixa o povo ouriçado.

Tem casas de poquer por aí?
Roger: Tem casas underground. Sedes, 30 caras jogando. Mesas caras e mesas baratas.

Neto: Eu já fui e não gosto do ambiente. É gente que você não conhece, outro astral.

Pôquer vicia?
Roger: Já fui mais… Ia para casa noturna jogar, ficava até seis da manhã.

E ganha grana?
Roger: Tem dia que ganha mil reais. Gasta R$ 100 a R$ 200. Ninguém estressa, todo mundo continua amigo. Hoje, em casa, tem um pôquer a R$ 30. É o ‘pôquer crise’. Light, para dar risada.

Você conhece gente que já perdeu muito?
Roger: Tenho amigo que já perdeu 10, 15mil em uma noite. Eu não jogo esse jogo alto. Tenho família e fico nervoso.

E sua esposa fica louca com o pôquer?
Roger: Ficava, mas eu sempre chegava em casa com o chequinho.

E por que mulher não entra?
Neto: Não é machismo, mas com todo respeito, não entra. É a noite dos homens, e fica todo mundo tranqüilo. Se elas sabem que vai ter mulher, já começam a não deixar os caras irem, fazem chantagem… Assim, não tem nenhum tipo de perigo.

Vocês impõem muitas regras para se organizar?
Neto: É democrático. Todo mundo vota. Vira o ano, a gente muda algumas regras para ajustar e o jogo ter mais fluidez.
Por exemplo, estabelecemos que a cada uma hora tem intervalo de cinco minutos. Senão sai briga.
10% do dinheiro viram um fundo para despesas, para trocar baralho, comprar fichas, pagar o garçom na final do campeonato…

Quando é dia de pôquer, meu telefone começa a tocar às 11 da manhã. Todo mundo liga para confirmar, para ver se eu imprimi o ranking…

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